SOLDADOS DA FAA “DESAFIAM” A ORDEM QUE OS PROÍBE A CIRCULAREM FARDADOS NAS RUAS DA REGIÃO MILITAR DE LUANDA
Depois das Forças Armadas Angolanas (FAA) terem emitido um despacho oficial, através do Estado-Maior General, proibindo a circulação de militares fardados nas ruas e vilas da Região Militar de Luanda, há dois anos para cá, a ordem é totalmente desrespeitada pelos efectivos militares.
ANA MENDES
A medida, conforme o despacho n.º 11/CMDTE RMLda/10/2024, visa regularizar a presença das tropas nas vias públicas, que tem sido excessiva, gerando a impressão de que os militares estão mais visíveis no espaço público do que nos quartéis, não “ tida e nem achada”.
“A movimentação de militares fardados fora do horário oficial só será permitida em situações de urgência, e as dispensas para questões pessoais, como saúde ou assuntos judiciais, devem ser devidamente autorizadas. Isso não se faz sentir neste momento”, alertou um coronel que não quis identificar-se destacado no Grafanil.
Essa medida, segundo este oficial, ressalta a necessidade de preservar a disciplina e a imagem das FAA, evitando comportamentos que possam comprometer a integridade da instituição.
“A presença de forças armadas nas ruas pode causar pânico e a sensação de que um conflito armado é iminente, sobretudo na capital onde diariamente chegam turistas provenientes em diversas partes do mundo”, alertou.
Segundo ele, a movimentação de militares deve ser autorizada e ocorrer fora do horário de serviço, salvo urgências, reforçando a ideia de que a sua actuação principal é nos quartéis e não em áreas civis.
Um outro brigadeiro reformado que também preferiu anonimato, é contra a presença das unidades militares nas áreas residenciais.
“Embora quartéis possam existir em áreas urbanas, a tendência é que unidades operacionais com grandes efetivos e equipamentos pesados se localizem fora das áreas densamente povoadas para garantir a segurança da população e manter a eficiência militar”, disse ele dando razão há milhares de moradores de Luanda expressam preocupação com a presença de unidades militares e armamento pesado em zonas residenciais, temendo riscos de segurança e brigas.
“A presença de unidades militares dentro de cidades, especialmente com armamento pesado (tanques, canhões), é uma preocupação recorrente devido à segurança das populações”, acrescentou.
“O convívio com tanques e canhões em áreas densamente povoadas gera medo” acrescentou frisando que, muitos militares e unidades carecem de quartéis adequados, resultando em condições precárias de alojamento.
Além disso, segundo ele, nos países instáveis, bases militares urbanas, embora incluam moradias, podem se tornar pontos de interesse para ataques inimigos, colocando em risco as áreas residenciais ao redor.
“O risco das unidades militares localizadas dentro de cidade, inclui a possibilidade de armas serem mal monitoradas, aumentando o perigo de crimes se não houver controle rigoroso”, acrescentou.
Segundo apurou o Jornal Hora H, a construção de unidades militares fora dos centros urbanos em Angola é uma diretriz estratégica visando retirar tanques, canhões e grandes contingentes do convívio direto com moradores, mantendo nas cidades apenas instituições administrativas.
Esta medida de segurança e ordenamento territorial abrange a construção de novos hospitais militares regionais, como em Luanda (Grafanil), Cabinda, Huambo e Moxico, promovendo a desmilitarização urbana.




