UNITA ENFRENTA RISCOS POLÍTICOS E DESAFIOS INTERNOS RUMO A 2027 EQUANTO ALTAS FIGURAS TENTAM  IMPEDIR GINGA DE CRIAR O PAIS

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A UNITA, principal partido da oposição em Angola, enfrenta vários riscos políticos e organizacionais, incluindo desafios ligados à preservação da sua identidade, possíveis divisões internas e a necessidade de manter a coesão da Frente Patriótica Unida (FPU), numa altura em que surgem novas forças políticas no país, entre elas a projectada Frente para Alternância do Poder em Angola (PAIS), liderado por Ginga Savimbi, filha do líder fundador da UNITA, com perspectivas de participar nas eleições gerais de 2027.

FRANCISCO MWANA ÚTA

De acordo com analistas políticos, o partido é pressionado pelo surgimento de novas formações, pela exigência de ampliar a sua base eleitoral e pela necessidade de reforçar a transparência no processo eleitoral, sobretudo no confronto político com o MPLA.

Entre as formações apontadas está o PRA-JA Servir Angola, que, segundo os analistas, tem potencial para disputar parte do eleitorado tradicional da UNITA, especialmente entre os jovens. Os especialistas consideram ainda que o partido enfrenta dificuldades em manter a coesão da Frente Patriótica Unida e em mobilizar, de forma consistente, partidos e organizações da sociedade civil para reforçar a sua posição política.

O professor universitário Sebastião da Cruz Ntango defende que a UNITA precisa também de expandir a sua presença em novas áreas administrativas, sobretudo em municípios recentemente criados, onde a sua implantação ainda é considerada fraca.

Segundo apurou este Jornal, uma equipa composta por figuras seniores da UNITA estará a trabalhar no terreno com o objectivo de travar a criação de uma nova formação política anunciada por Ginga Savimbi, filha do fundador do partido, Jonas Savimbi. O projecto, denominado Partido Angolano de Inclusão Social (PAIS), pretende, de acordo com informações recolhidas, promover práticas políticas centradas no diálogo, na união e no envolvimento activo da juventude, bem como combater o discurso de ódio e a desinformação.

Na opinião de Sebastião da Cruz Ntango, caso o Tribunal Constitucional venha a legalizar o PAIS, a UNITA poderá enfrentar maiores dificuldades nas eleições de 2027, correndo o risco de reduzir a sua representação parlamentar.

Entretanto, persistem também tensões internas no seio do partido. Militantes apontam que a direcção liderada por Adalberto Costa Júnior ainda não apresentou esclarecimentos públicos detalhados sobre a campanha de angariação de fundos realizada para financiar as actividades eleitorais das eleições gerais de 24 de Agosto de 2022.

Alguns membros criticam a situação e afirmam que, apesar das críticas frequentes ao Executivo por alegada má gestão do erário, a UNITA também enfrenta questionamentos internos sobre a prestação de contas relativas aos recursos utilizados na campanha eleitoral.