NO KWANZA NORTE: CIDADE DO DONDO EM SENTIDO DE SOCORRO

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Há muito tempo que a cidade do Dondo, no município de Cambambe, província do Kwanza Norte, anda em situações desagradáveis, que em nada orgulha quem já viu o brilho dessa terra.

REDACÇÃO JORNAL HORA H

Circulam na internet imagens actuais de como Dondo permanece feio e abandonado, ainda que haja pessoas por lá habitarem. As imagens mostram a realidade que contrasta a propaganda política que o governo local vem promovendo diante dos meios de comunicação social de grandes audiências, sobretudo os das redes sociais.

Ilustra-se – o facto – estradas totalmente esburacadas e habitações, completamente, encardidas e fora do tempo, o que levou muitos a dizerem que “Dondo parece uma cidade de zumbis”, um comentário com pitadas irónicas, mas com interpretações profundas e devastadoras para quem de lá é oriundo. É um ferimento à alma saber que a terra que te viu nascer é “uma cidade de zumbis”.

Pior, o vídeo só ilustra um fragmento da desastrosa realidade da vila do Dondo, aquela que já foi um dos elos mais importantes do intercâmbio económico, social, cultural na era pré e pós-colonial deste vasto país; hoje, esquecida como a dita “mulher do sofrimento”, que dá tudo de si por alguém e, no final, acaba no vazio.

Dondo, actualmente, não tem um hospital municipal de facto, não tem uma universidade, escolas com condições degradantes, Fábrica Têxtil está mais parada do em funcionamento, falta de biblioteca comunitária, marginal do rio Kwanza marginalizada, cemitério mergulhado no capim, taxa de desemprego muita alta – alta demais que até chega assustar –, falta de habitações condignas, água mal canalizada, energia mal distribuída, apesar ter barragens de referências como a de Cambambe, sem uma Casa da Juventude, etc. Estas situações todas levam a fuga constante de quadros natos, que, de algum modo, contribuiriam de perto para o desenvolvimento da região.

Então, estamos a fazer de Angola? Não, estamos a falar do Dondo, a região económica mais importante do Kwanza Norte. Sim, é mesmo isso que leste!

Como uma circunscrição tão importante e estratégica como esta vai ter tantos serviços públicos em falta? Que a pergunta leve o governador, João Diogo Gaspar, à reflexão, permitindo-lhe reverter o quadro o quanto antes.

Dondo estaria melhor se seus gestores não desviassem as verbas alocadas destinadas para a execução de projectos que constam no Orçamento Geral do Estado (OGE) desde 2014 até aos dias actuais, como a reabilitação e apetrechamento do hospital municipal; a efectivação da Casa da Juventude que já aparece no OGE desde 2017, porém, sem nenhuma forma física. Há projectos elaborados que só servem de ponte para o desvio de fundos públicos. Ou seja, o causador dos problemas da população é o mesmo que a população confia-lhe o poder para resolver os problemas; logo, os problemas não são solucionados, só pioram. Com isso, penaliza-se as condições de vida do pacato cidadão.

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