CAZENGA: CHEFE DA BRIGADA OPERATIVA DO SIC ACUSADO DE MATAR A TIRO DETIDO DENTRO DA ESQUADRA
Um jovem de 20 anos, identificado por Santos Bartolomeu Miguel André, conhecido por “Neymar”, morreu na tarde de sexta-feira, 5 de setembro, após ter sido atingido por um disparo de arma de fogo dentro das celas do Posto Policial da Vila da Mata, município do Cazenga, em Luanda.
Segundo um informe policial, o disparo foi efectuado acidentalmente pelo 2.° subchefe de Investigação Criminal, Menakuntuala António Paulo, chefe da Brigada Operativa do Serviço de Investigação Criminal (SIC) do referido posto.
O incidente ocorreu por volta das 16h50, quando a vítima, que se encontrava detida, pediu ao agente para encher um bidom de água mineral.
No momento em que o oficial recebia o recipiente, a pistola (de marca Walter) que empunhava disparou, atingindo Santos André na região inferior do olho direito. O projétil não teve saída.
A vítima foi socorrida de imediato para o Hospital Geral dos Cajueiros, mas acabou por não resistir à gravidade dos ferimentos, falecendo momentos depois de dar entrada na unidade hospitalar.
Conforme as autoridades, o agente em questão terá retirado o carregador da arma momentos antes, mas esquecera-se de remover a munição da câmara, o que terá resultado no disparo acidental.
Após o ocorrido, colocou-se em fuga, tendo alegadamente prometido apresentar-se voluntariamente às autoridades nas próximas horas.
O caso está a ser investigado pela Delegação Municipal do Cazenga, sob coordenação do inspector prisional-chefe Francisco da Costa Francisco, que confirmou que decorrem diligências para localizar e deter o agente, a fim de que seja responsabilizado criminalmente.
Este episódio insere-se num contexto mais amplo de preocupações sobre o uso da força policial em Angola.
Relatórios de 2025 destacam casos credíveis de execuções, violência sexual, uso excessivo da força, detenções arbitrárias e tortura pelas autoridades policiais angolanas.
Esecialistas em direitos humanos já solicitavam mais rigor nas investigações dessses incidentes e maior acesso das vítimas à justiça.



