EMPRESA CARMON E MINOPUH “ABANDONAM” REABILITAÇÃO DA ESTRADA FUNDA-QUINGONGO QUE CUSTOU MAIS DE 34 BILHÕES DE KWANZAS

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A reabilitação da Estrada Nacional EN 110, no troço que liga a Comuna da Funda ao Quingongo, lote 2, numa extensão de 21 quilómetros, na província de Icolo e Bengo, encontra-se num cenário de total abandono, apesar de o Estado angolano ter desembolsado mais de 34 mil milhões de kwanzas a para a execução da empreitada.

ANA MENDES

A obra, adjudicada à empresa de construção civil e obras públicas Carmon – Restrutura e Engenharia e Serviços Técnicos Especiais (SU), Limitada, propriedade de Mayara Issungi Campos Costa e ao Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação Instituto de Estradas de Angola, previa a intervenção integral do referido troço rodoviário, num prazo de seis meses. No entanto, uma reportagem realizada pelo jornal Hora H, no último sábado, 15 de Agosto de 2026, constatou a existência de trabalhos aparentemente incompletos, sinais de degradação e vários pontos críticos ao longo da via.

Segundo os dados em posse da nossa reportagem, o valor contractual da empreitada ascende a 34.536.359.204,90 AKZ ( Trinta e quatro mil milhões, quinhentos e trinta e seis milhões, trezentos e cinquenta e nove mil, duzentos e quatro kwanzas e nove centimos). No início e no final do troço intervencionado foram colocados placares indicando, respectivamente, “Início da Obra” e “Fim da Obra”. Contudo, a realidade encontrada no terreno, segundo a reportagem, não corresponde à execução integral de uma obra desta dimensão.

TAPA-BURACOS E ASFALTO DEGRADADO

Automobilistas ouvidos ao longo da estrada afirmaram que a intervenção realizada terá consistido, em grande medida, em trabalhos pontuais de tapa-buracos, que, segundo os relatos, voltaram a apresentar sinais de degradação pouco tempo depois.

Francisco Ndongala, motorista de mototáxi, conhecido localmente como kupapata, criticou a qualidade dos trabalhos realizados.

“Não se consegue circular com uma velocidade acima dos 60 quilómetros por hora, porque todo o material que eles usaram, em menos de dois meses, já rachou o asfalto e, em vários lugares que eles rasparam, não colocaram o asfalto”, afirmou.

A degradação da via é particularmente visível em diferentes pontos do percurso, onde se observam buracos, fissuras e zonas de asfalto deteriorado.

RAVINAS, PONTES DEGRADADAS E FALTA DE SINALIZAÇÃO

Além do estado do pavimento, a reportagem identificou ravinas que continuam a alastrar-se, pontes em condições consideradas preocupantes, ausência de iluminação pública e falta de sinalização rodoviária ao longo da estrada.

A situação também afecta actividades económicas existentes nas proximidades da EN 110. Entre os investimentos identificados estão unidades turísticas, propriedades agrícolas e quintas dedicadas à produção hortícola.

Agricultores ouvidos pela nossa reportagem afirmam enfrentar dificuldades para transportar os produtos até aos mercados, sobretudo devido às más condições da estrada e a falta de transportes que não chegam naquelas localidades por conta das pessímas condições da estrada.

MORADORES QUESTIONAM FISCALIZAÇÃO DA EMPREITADA

Um jovem residente no bairro Mulundo também questionou a relação entre o montante inscrito no orçamento da obra e os trabalhos visíveis no terreno.

“Nós vemos sempre o valor do orçamento da obra e, comparando com esta intervenção de tapa-buracos, não se justifica o valor que está naquele placar na Vila da Funda, a indicar que a obra começa na Funda até ao bairro Quingongo é de mais de 34 mil milhões de Kwanzas, e uma obra com aquele orçamento não tem nada”, afirmou.

Para o morador, uma das causas do fracasso da empreitada estará relacionada com a fiscalização.

Segundo o jovem, uma fiscalização verdadeiramente independente poderia ter permitido detectar atempadamente eventuais problemas na execução da obra e evitar o actual cenário.

MAIS DE 34 MIL MILHÕES DE KWANZAS EM CAUSA

O caso levanta questões sobre a execução financeira e física da empreitada, sobretudo tendo em conta o valor superior a 34 mil milhões de kwanzas indicado para a intervenção.

Documentos em posse do jornal Hora H, atribui a execução da obra à empresa Carmon propriedade de Mayara Issungi Campos Costa e ao Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, através do Instituto de Estradas de Angola, como entidade ligada à empreitada.

Perante as constatações feitas no terreno, ficam por esclarecer questões como o grau de execução efectiva da obra, os pagamentos realizados pelo Estado, os mecanismos de fiscalização utilizados e as razões que terão levado à paralisação ou abandono dos trabalhos.

A estrada Funda–Quingongo continua, assim, a ser apontada pelos seus utilizadores como um importante obstáculo à circulação de pessoas e mercadorias, enquanto permanecem por esclarecer as circunstâncias que envolvem uma empreitada avaliada em mais de trinta e quatro mil milhões de kwanzas.

O jornal Hora H, contactou por via telefônica a Direcção do Ministério de tutela que, pela mesma via respondeu, “Esta obra ainda não teve inicio e está prevista para 2027”.

O responsável avançou ainda ao jornal Hora H, que iriam mandar remover com urgência as placas que considera estarem erradas, e justificou a actitude da empresa Carmon de o fazer porque possívelmente não quererem perder a obra para outra empresa.