MORADORES DO DONDO DENUNCIAM INTERRUPÇÃO DAS AULAS DURANTE VISITA MINISTERIAL
Os munícipes de Cambambe, com destaque para moradores do Alto e Baixo Dondo, manifestaram descontentamento com a alegada interrupção das aulas nas escolas do município durante a visita de trabalho do ministro da Administração do Território, Daniel Félix Neto, realizada segunda-feira, 7.
SEBASTIÃO KUZUKA
Segundo as fontes do Jornal Hora H, a paralisação terá abrangido escolas do ensino primário e dos I e II ciclos do ensino secundário, afectando o normal funcionamento das actividades lectivas.
A situação gerou críticas entre moradores, professores e activistas cívicos, que questionam a necessidade de interromper as aulas para a realização da visita oficial.
Benísio Costa, residente na cidade do Dondo, considerou a medida prejudicial ao processo de ensino e aprendizagem.
“Quer dizer, hoje interrompem aulas aqui no Dondo porque o ministro estará em visita de trabalho no município. Esse país é uma comédia, brincam com a Educação”, lamentou o munícipe.
PARALISAÇÃO GERA CRÍTICAS
Outro residente de Cambambe, Phetele Dya Madia, também manifestou descontentamento com a situação. Para o munícipe, a interrupção das actividades lectivas ocorreu de forma desnecessária e teve impacto abrangente sobre os estudantes.
“O pior de tudo hoje, em Cambambe, foi a paralisação das aulas em todas as escolas do ensino primário, I e II ciclos do Ensino Secundário, de forma desnecessária”, afirmou.
Entre os professores, a medida também provocou reacções críticas. Raul Jordão, docente na cidade do Dondo, questionou o que considera ser uma diferença de tratamento perante determinadas situações que afectam a comunidade escolar.
“É triste o que o MPLA está a nos fazer passar, mas, se for um professor a falecer, a escola continua com o seu rumo normal de trabalho”, declarou.
ACTIVISTA QUESTIONA PRÁTICAS ANTIGAS DO GOVERNO DE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS
A polémica estendeu-se às redes sociais e aos círculos de activismo cívico. Hélder Neto, professor e activista residente em N’Dalatando, reagiu com ironia à interrupção das aulas.
“Quão triste! Pensei que isso já tinha ficado para trás. Paz e amor”, escreveu.
Os relatos dos munícipes levantam questões sobre os procedimentos adoptados para garantir a realização de actividades oficiais sem comprometer o calendário escolar e o direito à educação.
O Jornal Hora H não conseguiu, até ao fecho desta edição, obter um posicionamento das autoridades locais da Educação ou da Administração Municipal de Cambambe que esclareça as razões da alegada interrupção das aulas e se a medida foi oficialmente determinada no âmbito da visita ministerial.
A visita de trabalho do ministro da Administração do Território, Daniel Félix Neto, enquadrou-se na agenda oficial de actividades realizadas no município de Cambambe, província do Cuanza-Norte.





