UNITA DEIXA COM “BATATA QUENTE” A DEPUTADA IRINA DINIZ FERREIRA COM A VENDA DAS SALINAS DA TCHIOME
O Grupo Parlamentar da esclareceu que o suposto envolvimento da deputada Irina Diniz Ferreira, numa dívida relacionada com a venda das Salinas da Tchiome, situadas na Baía Farta, em Benguela, não envolve o principal partido da oposição.
ANA MENDES
O negócio foi alvo de uma investigação por parte do Ministério Público em Portugal –, no âmbito do processo conhecido como “Operação Marquês”, em que é arguido o antigo primeiro-ministro daquele país, José Sócrates.
“A UNITA não tem nada a ver com esta situação. Esta situação aconteceu antes da militante Irina Diniz Ferreira, ser deputada à Assembleia Nacional pelo Grupo Parlamentar da UNITA”, justificou a terceira vice-presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Mihaela Webba.
Reza a história que casada sob o regime de separação de adquiridos com o empresário Fernando dos Anjos Ferreira, Irina Ferreira era a titular de uma suposta dívida no valor de 500 mil dólares (convertido em 431 mil euros e 64 cêntimos), contraída ao empresário José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, com o qual o seu esposo é sócio na empresa Salinas do Tchiome, Limitada, sedeada na província de Benguela.
Para liquidar, o seu esposo, Anjos Ferreira, entregou, em 2018, a José Paulo, primo do antigo primeiroministro português José Sócrates, agora na mira da justiça no seu país, um apartamento na Ericeira, concelho de Mafra, avaliado na época em 380 mil euros, como forma de dação de pagamento.
Deste modo, a dívida da deputada angolana ficou reduzida ao montante de 51 mil euros e 74 cêntimos, segundo o jornal português “Nascer do Sol”.
A mudança de dono do apartamento, de tipologia T4, em causa, ocorreu a 16 de Outubro de 2018, quando o empresário Fernando dos Anjos Ferreira o entregou como “dação em pagamento” para saldar a dívida com José Paulo, também empresário em Angola e um dos arguidos do processo conhecido por Operação Marquês.
Neste processo-crime, que corre trâmites em Portugal, José Paulo é acusado de cometer dois crimes de lavagem de dinheiro por ter alegadamente servido de testa de ferro do seu primo direito José Sócrates, quando este era primeiro-ministro.
Segundo o jornal português Expresso, semanas depois dessa dação, Sócrates instalou-se no apartamento e assumiu-o como a sua nova morada oficial no Tribunal Central de Instrução Criminal, onde decorreram as sessões da fase de instrução do processo em que é acusado de 31 crimes, incluindo três crimes de corrupção.




