CARTA ABERTA AO CAMARADA PRESIDENTE DA REPÚBLICA E DO MPLA, JOÃO LOURENÇO
Excelentíssimo Senhor Presidente,
Escrevo-lhe como cidadão atento, como filho do Sambizanga, e como alguém que acredita no projeto político do MPLA. Escrevo-lhe com respeito institucional, mas também com profunda preocupação e repúdio diante do que está a acontecer em zonas estratégicas do desenvolvimento urbano do Icolo e Bengo.
O Executivo do MPLA construiu o Zango e diversas centralidades à sua volta — 8.000, Sequele e Vida Pacífica — com o objetivo claro de garantir habitação condigna, organização territorial e estabilidade social para milhares de famílias angolanas.
São infraestruturas que representam investimento público, visão estratégica e compromisso com o povo. Porém, é triste constatar que alguns administradores locais — que são simultaneamente militantes do MPLA — parecem estar a desvirtuar esse legado.
Refiro-me, com sentido de responsabilidade cívica, aos administradores do Calumbo e do Sequele, nomeadamente Francisco Chipilica e Mano Adão, que, segundo denúncias recorrentes nas comunidades, estariam a permitir a venda de terrenos destinados a fins sociais a cidadãos estrangeiros, sem critério claro nem transparência.
Terrenos que deveriam servir para:
Construção de centros de saúde
Espaços de lazer para crianças
Lojas de registo
Esquadras policiais
Infraestruturas comunitárias essenciais
Estão, alegadamente, a ser comercializados numa normalidade preocupante.
Senhor Presidente,
Se tal prática se confirmar, trata-se de uma afronta directa ao esforço do Executivo que Vossa Excelência lidera. Trata-se de um desalinhamento claro com a visão de governação que tem defendido — de moralização da sociedade, combate à corrupção e valorização do interesse público.
Mais grave ainda: estas decisões locais podem estar a minar a confiança das comunidades no seu mandato e no próprio MPLA. O povo não distingue facilmente entre o Executivo central e os administradores municipais. Quando há má gestão ao nível local, a responsabilidade política recai inevitavelmente sobre a liderança máxima.
Não se trata de atacar pessoas, mas de defender princípios.
Angola precisa de desenvolvimento sustentável, de estabilidade ambiental e de planeamento urbano responsável. Não podemos permitir que interesses individuais ou económicos se sobreponham às necessidades colectivas.
Senhor Presidente, a história é implacável com quem fecha os olhos aos sinais vindos da base.
Esta carta é um apelo à fiscalização rigorosa, à reposição da legalidade e ao realinhamento dos quadros que eventualmente estejam a comprometer o seu projeto político.
Com firmeza, mas com respeito institucional,
Um abraço patriótico,
Siona Júnior
Filho do Sambizanga
a.k.a. Buda do Jornalismo Angolano
Com orgulho e responsabilidade cívica acima de tudo.




