CARÊNCIA DE CIMENTO “NOVO DIAMANTE” NA CONSTRUÇÃO CIVIL EM ANGOLA
A carência de cimento em Angola está a provoca sérios transtornos na construção civil, resultando em paralisação de obras, aumento significativo de custos e atrasos nos cronogramas.
ANA MENDES
O aumento súbito do preço do cimento no país é descrito como um “novo diamante” na construção civil, dificultando o acesso a este insumo essencial.
A escassez do produto compromete ainda, o fluxo de trabalho e está levar à utilização de materiais alternativos de menor qualidade, afetando a durabilidade e integridade estrutural, além de gerar desperdícios.
O problema é agravado por dificuldades de produção, falhas na distribuição, questões de combustível e paragens técnicas nas fábricas.
Angola conta com pelo menos cinco grandes fábricas de cimento, com uma capacidade instalada total superior a 8 milhões de toneladas/ano, que chegaram a tornar o país auto-suficiente na produção.
Segundo economistas, actualmente, a crise financeira e a redução da procura reduziram drasticamente a capacidade de produção das cimenteiras nos últimos anos.
As principais unidades incluem a Nova Cimangola, a Fábrica de Cimento do Kwanza Sul (FCKS), a Cimenfort Industrial, a China International Fund Angola (CIF) e a Secil Lobito, hoje com enormes dificuldades de funcionamento para atender a demanda.
A CIMANGOL está a diversificar a sua produção com diferentes tipos de betão e seus derivados.
A implementação destes tipos de betão exigiu planeamento estratégico, organização das etapas de produção e, muitas vezes, a adoção de tecnologias flexíveis para maximizar eficiência.
“É um negócio novo, nós somos produtores de cimento. É evidente que em qualquer parte do mundo, se reparar, as grandes indústrias cimenteiras estão ligadas também a produção de betão”, o presidente do conselho da administração da empresa, Agostinho da Silva.
De acordo com o gestor, a Cimangola esta a produzir vários tipos de batão, de acordo com o que a cliente solícita e dentro daquilo que são as especificações técnicas e as normas que se requer do betão.
Apesar da enorme procura pelo cimento no mercado, a fábrica produz diariamente cinco mil toneladas de clínquer o que corresponde ao igual valor de toneladas de cimento.
Com uma capacidade instalada de produção na ordem de um milhão e quinhentas toneladas de clínquer, a cimangola encontra-se a funcionar na plenitude da sua capacidade.
O presidente do conselho da administração, explicou que actualmente, a empresa está empenhada na produção de cimento especial, para obras de grandes envergaduras, nomeadamente, a construção do Porto caio de Cabinda, a construção e apetrechamento da Barragem de Caculo Cabaça e outras grandes infraestruturas do sob tutela do Estado angolano.
Destacou também a Matapalo (…) Griner, como principais clientes da Cimangol.
“Em termos de fornecimento no mercado, nós Cimangola estamos atender as necessidades na ordem de 70 por cento. As grandes obras em construção no País, estão a ser asseguradas pela Cimangola”, referiu justificando que, a escassez do produto no mercado, tem a ver com o funcionamento a nível do país de duas indústrias cimenteiras.
A CIMANGOL, de acordo com o gestor, esta a produzir no limite da sua capacidade, para abastecer o mercado e esperando que, que as outras empresas possam entrar em funcionamento para juntos atenderem o mercado e permitir que se reduza a procura.
No período em que a empresa efectua a manutenção periódica dos equipamentos, de acordo com a gestor “a cimangola assegura a produção suficiente do clínquer dois meses antes, para garantir que não falte cimento no mercado”.
“Produzimos o clínquer e fizemos estoque suficiente para aqueles níveis de manutenções definidas dentro daquilo que é a nossa estratégia, quer de 20 ou de 17 dias. Estamos bem, quer a nível de produção do clínquer, quer a nível de produção do cimento”, assegurou admitindo que, a Cimangola está no seu limite de capacidade, e sozinha não vai suportar a demanda para dar resposta as necessidades do país.
Refira-se que o clínquer composto principal para a produção do cimento, é resultado de uma mistura homogénea de calcário, argila e outros minérios.
“Depois de se obter o clínquer, o processo passa para o moinho com uma mistura entre os 80% do clínquer em alguns casos, 20% de calcário e 5% de gesso, para se obter o produto final o cimento”, informou o gestor.
Aquisição de cimento o Calcanhar de Aquilles
A população e construtores relatam sérios problemas com a escassez do cimento e o aumento drástico do preço do cimento, com o saco de 50 kg a superar 10.000 kwanzas no mercado informal actualmente.
A situação é provocada por dificuldades na produção, como foi sublinhando, paragens técnicas, falta de combustível e problemas de distribuição, afetando a oferta no mercado.
A escassez e os preços elevados prejudicaram o funcionário público, Ramos Neto, que há 10 anos, já não mexe a obra que construiu com muita facilidade.
“Não vejo uma estabilização dos preços no curto prazo. Agora a prioridade é propinas das crianças e barriga”, desabafa Ramos Neto admitindo que, as paredes da casa que reclamam por reboco vão ter que esperar.
O reformado Orlando da Paciência reconhece que, que a situação da carência do cimento, é reflexo da conjuntura económica do país, que afecta não só a indústria cimenteira, mas também outros sectores.
“A situação preocupa-nos. Os revendedores e, sobretudo, a população que não tem poder de compra para enfrentar os actuais preços inflacionados”, diz ele lamentando, haver um aproveitamento por parte de alguns oportunistas que se aproveitam da situação para alterar os preços.
Para o economista, Campos Manuel Jamba, a situação da construção civil, que é essencial para o progresso do país, mas encontra-se estagnada, com a produção de cimento a registar quebras significativas, afectando todo o sector.
“Embora Angola tenha capacidade produtiva, problemas energéticos, técnicos e de manutenção em fábricas, além de crises financeiras, têm impactado a produção de cimento”, sustentou.
Luz no “fundo do túnel” haver vamos
Incrédulo com promessas das autoridades complentes sobre descida do preço de cimento, Samuel Tiago, que já não tem sonho para conclusão da sua casa, manifesta agora esperança, quando por intermédio dos meios da comunicação social, ouviu falar de que que o preço do cimento não vai subir.
“Haver vamos”, resume o desempregado destacando que, a população angolana, incluindo figuras públicas, expressa forte indignação com o aumento do preço do cimento.
O Ministro da Indústria e Comércio de Angola, Rui Miguêns de Oliveira, garantiu medidas para estabilizar o preço do cimento, após aumentos superiores a 66% nos últimos meses, com o saco de 50 kg a ultrapassar os 10.000 kwanzas.
A alta, segundo o governante, deve-se à paralisação temporária de uma cimenteira e problemas logísticos, prometendo o Governo normalizar o mercado.
O preço “anormal” (acima de 10.000 kwanzas) é considerado conjuntural, fruto de quebra na produção, e não reflete o valor base à saída da fábrica (5.000 a 6.000 kwanzas).
O Executivo está a trabalhar na regularização da produção e distribuição, descartando a importação para proteger o investimento nacional.
Espera-se uma redução e estabilização dos preços nos próximos dias com a retoma da produção, garantindo a suficiência no mercado interno.




