UNIVERSIDADE METROPOLITANA: MÃO INVISÍVEL DO MPLA ACUSADA DE DAR VITÓRIA À CANDIDATA MENOS VOTADA PARA A LIDERANÇA DA ADEIMA

fbe37e0c-789f-4a57-a743-8cbf7e9b5091

Os estudantes do Instituto Superior Metropolitano de Angola (IMETRO), em Luanda, denunciaram nesta quinta-feira, 22, alegadas irregularidades consideradas “graves” no processo eleitoral para a escolha da nova direcção da Associação de Estudantes daquela instituição de ensino, apontando indícios de fraude, manipulação de votos e interferência política.

TCHINOSSOLE ESSANJU

De acordo com os denunciantes ouvidos pela redacção do Jornal Hora H, concorreram ao pleito quatro candidaturas, designadas Chapa A, B, C e D. A chapa vencedora obteve 264 votos, correspondentes a cerca de 33% do total apurado, num universo em que foram registados mais de 100 votos nulos, número considerado “anormal” pelos estudantes contactados pela nossa redacção.

“Não existe, em parte alguma do mundo, um processo eleitoral em que dezenas de pessoas votem consecutivamente numa única candidata, sem qualquer variação”, afirmou um estudante, que pediu anonimato por receio de represálias.

Os estudantes relatam ainda que, durante o processo de apuramento, as urnas teriam sido retiradas das mesas de voto e levadas para uma sala fechada, onde o acesso foi vedado aos representantes das chapas e ao público, contrariando os princípios básicos de transparência eleitoral.

Segundo os denunciantes, as urnas foram deslocadas para uma sala sob a alegação de “repouso para o almoço”, momento em que os presentes teriam sido obrigados a abandonar o local, sob o pretexto de proteção das caixas. No entanto, as fontes relataram ter notado movimentações de pessoas numa sala adjacente, ligada por uma porta com acesso ao espaço onde se encontravam as urnas. “A situação levantou fortes suspeitas de manipulação dos votos”, afirmou uma fonte próxima aos candidatos.

Outra situação que causou espanto entre os presentes foi o facto de, durante a contagem de uma das urnas, terem sido apurados mais de 40 votos consecutivos a favor da candidata vencedora, num momento em que esta se encontrava com menos votos, ultrapassando assim os restantes concorrentes.

A denúncia ganha contornos mais sensíveis com acusações de interferência partidária. Os estudantes afirmam que  Miguel Kizua, apontado como representante da juventude do MPLA do CAP dentro do IMETRO, terá participado no processo, embora, segundo os denunciantes, tenha sido oficialmente apresentado pela instituição como representante de um gabinete de apoio aos estudantes estagiários. (Na foto com a vencedora).

 “Todas as eleições nas associações de estudantes acabam sempre com vitória de chapas ligadas ao partido no poder. Já não existem eleições verdadeiramente justas”, lamentou outro estudante que afirmaram que todos os presidentes cessantes da Associação dos Estudantes do Instituto Metropolitano de Angola (ADEIMA), são ligados ao referido CAP.

O regulamento eleitoral interno do IMETRO proíbe expressamente o apoio da direcção cessante a qualquer chapa concorrente, sob pena de desqualificação imediata. No entanto, os estudantes alegam possuir mensagens, áudios e vídeos que demonstram o envolvimento directo do vice-presidente cessante, Joel Pombo a incentivar votos na chapa A, actual vencedora.

Há ainda acusações de que pessoas estranhas à Associação de Estudantes foram introduzidas no processo para fazer campanha antecipada, sob orientação da direcção cessante liderada por .

Imagens capturadas supostamente por uma câmara escondida, a que os estudantes trouxeram à redacção do Jornal Hora H, mostra o vice-presidente cessante, Joel Pombo, na sala onde encontrava-se as urnas em movimentos estranhos, o que os jovens alegam ter ido depositar às urnas boletins já preenchidos por pessoas desconhecidas” acto considerado ilegal e que viola as normas eleitorais internas.

Face à situação, os estudantes admitem a possibilidade de manifestações dentro da instituição, alertando que o ambiente académico poderá deteriorar-se caso as denúncias não sejam apuradas.

 “Não se trata apenas de quem ganhou ou perdeu. Trata-se de impedir que práticas ilegais continuem. Se não for resolvido agora, a situação pode agravar-se”, alertam.

Em contraditório, o Jornal Hora H contactou o vice-presidente da associação, Joel Pombo que, sem avançar nada, garantiu voltar a contactar este órgão de comunicação em 15 minutos, porém, aguardamos até ao fecho desta matéria e não mais se pronunciou.

Já o presidente da Comissão Eleitoral, Robbert Alberto, contactado pela redacção deste jornal, rejeitou as acusações de fraude e afirmou que o processo decorreu de forma “calma, transparente e em conformidade com o regulamento eleitoral”.

Garantiu que não houve reclamações formais, nem interferência política, desde a aceitação das candidaturas até à contagem dos votos. Segundo explicou, os mandatários acompanharam todas as fases do processo e tinham legitimidade para impugnar eventuais irregularidades no momento próprio, o que, segundo disse,  não aconteceu. Robbert Alberto disse ainda que, após a leitura da acta, alguns mandatários declararam concordar com os resultados, embora tenha recusado assiná-la, considerando por isso infundadas as acusações agora levantadas.