MÚLTIPLAS CANDIDATURAS OCORRIDAS NA  JMPLA E OMA É “UMA LUZ NO FUNDO DO TÚNEL” PARA PRÓXIMO CONGRESSO DO MPLA

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As múltiplas candidaturas que ocorreram no congresso da JMPLA e agora a terem lugar na OMA abre,  “uma luz no fundo túnel”, para que no próximo conclave do partido no poder, que terá lugar em Dezembro deste ano,  este exercício que tem afectado a democracia interna venha a efectivar-se.

 ESCRIVÃO JOSÉ

Esta é a conclusão de alguns analistas políticos ouvidos por este jornal, que defendem que o candidato à presidente do MPLA deverá ser escolhido pelos seus órgãos estatutários (Bureau Político, Comité Central, Congresso), garantindo uma seleção interna e não uma indicação única, o que abre espaço para debates sobre nomes.

 O director executivo do Instituto Angolano de Sistemas Eleitorais e Democracia, Luís Jimbo, diz que nos processos eleitorais internos das organizações de massas do MPLA (JMPLA e OMA), o critério determinante é a confiança política do líder e Presidente do MPLA.

 “N caso da JMPLA e da OMA, enquanto organizações políticas integradas no MPLA, os respetivos secretários-gerais e os seus membros seguem, a implementação da agenda política do MPLA e do seu Presidente”, disse, Luís Jimbo, quando comentava sobre as múltiplas candidaturas nestas organizações de massas do MPLA.

De acordo com Luís Jimbo, estes pressupostos de legitimação e competição assumem contornos substancialmente diferentes, quando o processo eleitoral envolve o líder e Presidente do MPLA.

“Nesse caso está em causa a definição da agenda política de governação nacional, que exige não apenas confiança partidária, mas sobretudo confiança pública, considerando que a maioria do eleitorado angolano não é membro do MPLA que assegura a legitimidade do exercício do poder político”, disse.

Na sua opinião, a vontade dos membros do MPLA de eleger o Presidente do Partido durante o congresso encontra-se, necessariamente subordinada à vontade popular para eleições gerais.

“A determinação destas variáveis resultará pela manifestação da visão política e da vontade coletiva dos órgãos deliberativos do partido, dos órgãos de aconselhamento do Presidente do MPLA, e igualmente, de outros entes do Estado que o Presidente do MPLA enquanto Presidente da República dirige na qualidade de Chefe de Estado”, acrescentou.

Na opinião do politólogo Agostinho Chicato, as múltiplas candidaturas na OMA e JMPLA “é uma espécie de ensaio que o MPLA está a fazer nas suas organizações de massas, para depois avaliar, se vala apena ou apostar a nível central com a dupla candidatura”.

O politólogo defende que o candidato à presidente do MPLA deverá ser escolhido pelos seus órgãos estatutários (Bureau Político, Comité Central, Congresso), garantindo uma seleção interna e não uma indicação única, o que abre espaço para debates sobre nomes.

“O MPLA é um partido histórico. Já não se justifica continuar estar fechado a múltiplas candidaturas ou disputas internas”, referiu frisando que debate e a disputa interna dentro dos partidos políticos é essencial, para fortalecer a democracia e garantir que diferentes visões possam ser discutidas de forma aberta e transparente.

Para Agostinho Chicato, “seria muito arriscado” o líder do MPLA, João Lourenço, não permitir a realização do  próximo congresso sem múltiplas candidaturas.

“Mesmo que seja um candidato de fachada, é importante que no próximo congresso haja dupla candidatura para o bem da democracia”, acrescentou.

 Para o professor universitário Daniel Amaro Ramalho, o MPLA iniciou o processo de democratização interna nas suas organizações de massa (JMPLA e OMA), e não deve fechando-se cada vez mais ao topo.

“É uma luz no fundo do túnel em termos de abertura as múltiplas candidaturas no seio do MPLA. Já  ouve múltiplas candidaturas no congresso da  JMPLA e agora na  OMA. Esperamos que no próximo congresso do partido isto acontece”, disse Daniel Amaro Ramalho.

Na sua opinião, o partido, embora governe Angola num sistema multipartidário, opera com uma estrutura hierárquica fechada, controlada pelo seu Presidente, dificultando a competição interna e a participação de vozes dissidentes.

“Eu acho que chegou o momento para a competição interna. Isso é bom para o próprio MPLA que governa o país desde 1975 e para os angolanos”, concluiu.

A nível das organizações de massas, no processo para o 9º Congresso da JMPLA em 2024, Justino Capapinha e Adilson Hach foram os candidatos aprovados para disputar a liderança, dos quatro concorrentes.

A subcomissão de candidaturas do 8º Congresso Ordinário da Organização da Mulher Angolana (OMA), que terá lugar de 28 de Fevereiro a 01 de Março deste ano, validou três candidaturas, das quais apenas duas vão concorrer ao cargo da secretária-geral.

A antiga vice-presidente da Assembleia Nacional, Emília Carlota Sebastião Celestino Dias, a deputada Lourdes Caposso, e Graciete Sungua, são as militantes apuradas, que neste sábado, 17, vão passar pelo crivo do Comité Nacional da OMA para seleccionar as duas candidaturas.

BUREAU POLÍTICO DO MPLA TRAVA JOANA TOMAS CONCORRER A SUA SUCESSÃO

A actual secretária-geral da organização, Joana Tomás, afirmou que não apresentou a sua candidatura à reeleição para o cargo, por decisão própria, “consciente e politicamente responsável”.

Mas uma fonte da direcção do MPLA, confidenciou ao Novo Jornal, que o Bureau Político do MPLA, impediu a actual secretária-geral da OMA, a sua recandidatura face ao  fraco desempenho que teve durante o seu mandato.