QUE SOCIEDADE DOENTE ESTAMOS A CONSTRUIR?  – FERNANDA LUZEMBIA

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A recente confirmação de que o comediante Cessalty Paulo, integrante do grupo Os Tuneza mais conhecido como Tia Bolinha, violou a sua filha de criação, chocou o país. Mais do que um caso isolado, este episódio levanta uma reflexão profunda e dolorosa: que sociedade estamos a construir? Será que estamos a viver o fim dos tempos, ou somos nós que, com as nossas atitudes e omissões, estamos a apressar o fim?

Infelizmente, todos os dias surgem novos casos de abuso sexual dentro das próprias famílias. Muitos acabam abafados, silenciados, protegidos pelo falso ideal de manter o “lar unido”. Mães que, em vez de proteger os filhos, escolhem defender os maridos. Crianças que sofrem caladas, ameaçadas e desacreditadas.

O caso de Tia Bolinha deve servir de alerta. A verdade é que nem tudo o que brilha é ouro. Às vezes, quem nos faz rir em público é o mesmo que destrói uma vida em segredo. Precisamos parar de ignorar os sinais e de duvidar das vítimas só porque o agressor parece “bom demais” para cometer tamanha atrocidade.É preciso entender que muitas vítimas tentam comunicar por meio de comportamentos: isolamento, tristeza repentina, alterações de humor. Mas ignoramos. Preferimos pensar que “é só uma fase” ou “coisa da idade”. Enquanto isso, o agressor continua livre, repetindo os abusos.

Pais, mães, responsáveis:

– Nem todo silêncio dos vossos filhos é paz. 

– Nem toda mudança de humor é normal. 

– Nem todo distanciamento é rebeldia. 

– Nem todo carinho é genuíno.

Crianças não fazem sexo. Crianças são violadas. 

Sexo exige consentimento. E quando é forçado, é crime.

Nenhuma criança, adolescente ou jovem deve ser usada para satisfazer desejos doentios de adultos. É urgente denunciar. Não importa quem seja o agressor pai, tio, avô, padrasto, pastor ou figura pública. A justiça existe, e precisa ser feita.

Vamos proteger os nossos filhos. Eles merecem infância. Merecem dignidade. Merecem viver sem medo.

Pais, ouçam, observem e analisem os vossos filhos. Acreditem neles e sejam a proteção que eles precisam.

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