“OS 50 ANOS DA INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA FAZEM DO MPLA O PARTIDO MAIS CORRUPTO, MAIS VIOLENTO E MAIS ANTI-LEI DE ÁFRICA – KAMALATA NUMA
Cinco décadas após a proclamação da Independência de Angola, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) continua a ser a força política dominante no país. Contudo, essa longevidade no poder, em vez de ser símbolo de estabilidade e progresso, transformou-se, aos olhos dos angolanos e observadores internacionais, num emblema de corrupção sistémica, autoritarismo e impunidade institucionalizada.
O MPLA que nasceu como movimento de libertação nacional tornou-se, com o passar do tempo, um instrumento de dominação política e económica, erigido sobre a exploração dos recursos do país e a marginalização da maioria da população.
O MPLA que ascendeu ao poder em 1975, através da violação dos Acordos de Alvor e apoio do governo colonial de então, com um discurso de emancipação e justiça social é hoje a imagem da ditadura em Angola.
No entanto, rapidamente se verificou que o projecto nacionalista do MPLA se confundiu com a ambição de um pequeno grupo de dirigentes desse partido.
O Estado foi moldado pelo MPLA à imagem do partido, e o partido tornou-se sinónimo do Estado — um mecanismo de captura total das instituições, da economia e dos meios de comunicação.
A guerra pós-colonial e civil e o contexto da Guerra Fria reforçaram esta lógica de centralização autoritária: em nome da defesa da pátria, justificou-se a ausência da liberdade, a perseguição de opositores e a militarização da sociedade.
Mas, terminado o conflito, o MPLA não se reinventou como um partido democrático — preferiu perpetuar-se no poder através do controlo das estruturas do Estado e do aparelho de segurança.
Com o advento da paz, Angola conheceu uma explosão de riqueza petrolífera. Porém, a abundância de recursos naturais, em vez de beneficiar a população, tornou-se o motor da cleptocracia. As receitas do petróleo e dos diamantes foram desviadas para enriquecer uma elite política ligada ao MPLA.
A corrupção deixou de ser excepção para se tornar regra estrutural do sistema: contratos públicos opacos, empresas fantasmas, contas no exterior e uma economia dependente de favores e lealdades políticas. Enquanto isso, milhões de angolanos continuaram a viver sem acesso digno a educação, saúde ou habitação. A desigualdade entre a elite governante e o povo atingiu níveis moralmente insustentáveis.
Ao longo de décadas, o MPLA consolidou o poder através da violência política e simbólica. A repressão de protestos, o silenciamento de jornalistas e a perseguição judicial a activistas tornaram-se práticas recorrentes.
A segurança do regime prevalece sobre os direitos do cidadão. As forças policiais e militares, em vez de protegerem o povo, são frequentemente usadas para intimidar e neutralizar qualquer contestação. Assim, a lei é manipulada: serve para punir o dissidente e absolver o corrupto.
A cultura do medo, herdada da guerra e mantida pelo autoritarismo, continua a ser um dos pilares invisíveis do sistema.
Hoje, 50 anos depois da Independência, o MPLA enfrenta uma crise profunda de legitimidade. O discurso histórico da libertação perdeu força diante de uma juventude que não viveu a guerra, mas sofre a miséria. Para essa geração, o partido deixou de ser sinónimo de libertação — tornou-se o símbolo de um bloqueio histórico, de um poder envelhecido e desconectado da realidade.
O Estado angolano, capturado e manipulado, é percebido como anti-lei: a justiça é selectiva, a impunidade é regra, e o mérito cede lugar à lealdade partidária. O país vive uma tensão constante entre um regime que se recusa a ceder e uma sociedade cada vez mais consciente do seu direito à liberdade e à transparência.
O balanço de meio século é duro: o MPLA transformou o sonho de independência num sistema de dominação patrimonialista, que impede o florescimento de uma verdadeira democracia. Mas há um elemento de esperança: o despertar cívico e a coragem crescente de uma sociedade que, mesmo sob repressão, exige mudança encabeçada por Adalberto Costa Júnior e a sociedade civil.
OBRIGADO!




