CORRUPÇÃO: OFICIAL DO SINSE DETIDO POR CHEFIAR ESQUEMA DE EMISSÃO ILEGAL DE VISTOS NO SME
O detido é Cláudio Van-Dúnem Sambo, funcionário afecto ao gabinete do director-geral do SME, José Coimbra Baptista Júnior. A detenção ocorreu na quarta-feira, 12, por volta das 18h00, precisamente nas instalações do gabinete do próprio director-geral da instituição.
Segundo informações recolhidas no âmbito da investigação, Cláudio Van-Dúnem é suspeito de liderar uma rede estruturada dedicada ao auxílio à imigração ilegal e à falsificação de documentos migratórios.
O esquema consistiria na autorização irregular de e-visas de turismo, vistos de permanência temporária e vistos de trabalho, recorrendo a documentação falsificada.
Fontes ligadas ao processo indicam que o funcionário utilizava indevidamente o nome do director-geral do SME para validar ou facilitar a emissão desses documentos, em troca de elevadas quantias de dinheiro.
As autoridades suspeitam ainda de crimes de associação criminosa, num esquema que envolveria vários funcionários do serviço de migração.
Entre os implicados no processo encontram-se quadros da instituição que já se encontram detidos, incluindo o antigo chefe da Unidade Aeroportuária de Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda.
Apesar de oficialmente não ocupar um cargo de direcção formalizado, Cláudio Van-Dúnem era descrito internamente como uma espécie de “director-geral adjunto de facto”, exercendo poderes informais consideráveis dentro da estrutura do SME.
Funcionários da instituição afirmam que o oficial mantinha influência directa sobre decisões administrativas e operacionais, frequentemente ultrapassando a hierarquia institucional.
De acordo com as mesmas fontes, o oficial actuava com o apoio do intendente de imigração José da Silva, chefe do gabinete do director-geral, sendo ambos suspeitos de usurpação de competências e de interferir no funcionamento normal de vários departamentos do serviço.
Cláudio Van-Dúnem encontrava-se colocado no SME desde finais de 2024, integrando um grupo de quadros provenientes do SINSE que passaram a trabalhar na instituição após a entrada em funções do actual director-geral, José Coimbra Baptista Júnior.
Embora a operação tenha sido executada pelo SIC, fontes indicam que a detenção terá contado com autorização prévia do próprio SINSE, na sequência de informações consideradas comprometedoras sobre alegadas irregularidades dentro da direcção do SME.
As investigações em curso procuram agora determinar a extensão da rede e o número de actos migratórios irregulares que poderão ter sido autorizados através deste esquema.
O caso está a gerar forte embaraço institucional, uma vez que a detenção ocorreu no núcleo mais próximo da direcção do serviço, levantando questões sobre eventuais falhas de supervisão e sobre o grau de conhecimento que a liderança do SME teria sobre as actividades ilícitas alegadamente praticadas dentro do próprio gabinete do director-geral.
Analistas consideram que o escândalo expõe fragilidades graves nos mecanismos de controlo do sistema migratório angolano, num momento em que o país procura reforçar a segurança documental e combater redes de imigração ilegal.




