A INSEGURANÇA ALIMENTAR EM UNIDADES MILITARES DAS FAA COMPROMETE A PRONTIDÃO OPERACIONAL E SAÚDE DAS TROPAS

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Os militares exigem que o Comandante-em-Chefe, das Forças Armadas Angolanas (FFA), João Lourenço, deve “urgentemente” passar em algumas bases militares, especialmente, em Luanda, para averiguar a actual situação da logística que inspira cuidados.

NDOMBI ZADIMENGA 

A situação alimentar nas unidades militares, segundo relatos dos militares, não é confortável, que não garante fluxo abundante de alimentos.

Relatos indicam “falhas graves” no abastecimento alimentar em unidades  gerando descontentamento e denúncias sobre militares a passar fome, inclusive em unidades especializadas.

Hoje, é comum encontrar no mercado negro quantidades significativas de bens destinados aos militares saqueados, sobretudo na base central do logística.

“Logísticos saqueiam viveres nos armazéns da BCA em plena luz do dia, vendendo às senhoras e ninguém a incómoda”, diz uma fonte militar.

Defronte à BCA, prossegue a fon­te, “existe uma rede de senho­ras em colaboração com alguns responsáveis dos armazéns que conseguem desviar diariamente perto de meia tonelada de pro­dutos diversos”.

De acordo com a fonte, nível da direcção da logística não existe uma planificação eficiente, o que tem provocado a rotura nos stocks.

“A dieta alimentar nas unidades está péssima. Muitas carecem de quase de tudo”, revelou a fonte, considerando ser pertinente a melhoria do abastecimento téc­nico às unidades, bem como a formação e reciclagem dos espe­cialistas do ramo.

Segundo fontes militares, a insegurança alimentar em unidades, compromete a prontidão operacional e saúde das tropas.

A falta de abastecimento gera tensões graves, conforme denúncias de sargentos sobre a escassez de alimentos e a situação exige recursos adequados e gestão eficaz para garantir a alimentação. 

“A fome entre militares não é apenas uma questão social, mas um risco à segurança nacional, pois afeta a saúde, concentração e retenção de pessoal nas unidades”, disse um general na reserva.

Segundo este oficial, a segurança alimentar em unidades militares é crucial para a prontidão operacional, saúde e desempenho físico da tropa, prevenindo intoxicações e garantindo nutrição adequada.

“Ela abrange a qualidade dos alimentos, manuseio seguro, armazenamento, e o uso de rações operacionais equilibradas, sendo vital para o sucesso das missões”, acrescentou o general reformado.

Segundo denuncias, em várias unidades, especialmente na capital do país, muitos oficiais superiores, que não estão de serviço deixam as suas casas, para disputarem a pouca comida com soldados aguarelados.

“A situação é muito séria observar, altos oficiais das FAA dispensados e voltam aparecer nas unidades a mexerem ainda o pouco que ficou para os militares aquartelados”, disse um militar.

Segundo apurou o Jornal Hora H, dos três ramos das Forças Armadas Angolanas (FAA), a situação é mais crítica no exército.