NO CUANZA NORTE: GADO DO CHADE EM CAMABATELA É “NEGOCIO FALIDO” FEITO PELO EXECUTIVO

Antonio-Assis

 Angola firmou um acordo para receber 75 mil cabeças de gado do Chade ao longo de 10 anos, como pagamento de uma dívida de 100 milhões de dólares contraída em 2017.

NDOMBI ZADIMENGA

Segundo fontes do jornal Hora H, o gado, destinado ao repovoamento, especialmente no Planalto de Camabatela, enfrenta sérios problemas de adaptação, doenças (como peripneumonia) e mortalidade elevada (quase 400 mortes no primeiro lote).

“Uma boa parte de cabeças de gado que recebi morreram”, desabafa um criador de gado na pecuária de Kapeka, no município de Ambaca.

Seu vizinho, António Kissanga que adquiriu 30 cabeças de gado a partir do centro do país (Huambo e Bié), tem um rendimento agradável.

“O gado multiplicou-se consideravelmente, estou a espera de um outro financiamento para aquisição de outras cabeças”, gaba-se o criador.

O acordo do Executivo  visava a redução da dependência da importação de carne e o repovoamento bovino em áreas afetadas pela seca.

O gado percorria cerca de 1.000 km a pé no Chade, seguido de transporte por caminhão até ao porto de Kribi, nos Camarões, e depois navio para Luanda.

“O transporte longo e a falta de adaptação ao clima resultaram em uma mortalidade inicial de cerca de 46% num dos lotes vindo em Angola”, reconheceu o veterinário Carvalho Agostino Noronha.

O gado foi destinado a criadores familiares e empresarios, com custos por cabeça de 150 mil kwanzas.

“Foi um dinheiro perdido, Das 20 cabeças que comprei vindas do Chade, só restam nove”, lamenta o criador, Ernesto Ngola, no município de Luinga.

“Apesar da alta mortalidade inicial, alguns animais adaptaram-se e registaram-se nascimentos”, conta o veterinário Carmo José.

O Planalto de Camabatela, abrangendo Cuanza-Norte, Malanje e Uíge, conta com mais de 30.000 cabeças de gado, incluindo rebanho importado do Chade para repovoamento.

O Executivo investiu cerca de 73,1 milhões USD entre Março de 2020  até a data presente em infra-estruturas para apoiar a criação, controlo sanitário e comercialização de gado no Planalto de Camabatela.

O montante financiou obras como a reabilitação de vias, construção de centros comunitários, instalação de linhas eléctricas e programas de formação técnica.

O objectivo é garantir o controlo sanitário do gado da região e facilitar a exportação da carne.

O pacote de infra-estruturas inclui unidades de confinamento, secções de leilão, postos de controlo, espaços para veículos e recintos para animais doentes.

O projecto integra cinco postos de controlo sanitário — dois no Uíge, dois em Malanje e um no Cuanza-Norte — e 13 currais comunitários.