INVESTIGAÇÕES EM CURSO NÃO RESOLVEM A ESTAGNAÇÃO DAS OBRAS DO PIIM NA PROVÍNCIA DO KUANZA NORTE
A província do Kuanza Norte, enfrenta desafios estruturais significativos, caracterizados pela falta de uma rede rodoviária eficiente que dificulta a ligação entre os municípios e Ndalatando, prejudicando o escoamento da produção agrícola.
ANA MENDES
Desafios incluem a paralisia de projetos do PIIM por empreiteiros irresponsáveis que não concluem as obras, não obstante à pressão das autoridades locais.
“Obras essenciais, incluindo infraestruturas do PIIM, encontram-se paralisadas, com investigações em curso sobre o abandono de projetos por empresas contratadas”, disse ao Jornal Hora H uma fonte do governo provincial frisando que empresas de amigos de governantes prejudicam à população.
Habitantes locais indagou, sobre os projectos paralisados devido à irresponsabilidade dos empreiteiros e pedem maior atenção do governo na selecção das empresas contratadas para garantir um compromisso efectivo com os contratos.
A respeito da situação, o empresário, Carmo Santos Neto José, diz que a selecção de empresas de amigos para obras exige avaliação técnica criteriosa, além da confiança pessoal.
“Aqui não priorizam a competência, não verificam referências e não há contratos transparentes para evitar riscos”, lamenta o empresário o silêncio das autoridades locais que, não expressão com o elevado número de obras paralisadas na província.
Empresas que operam na província, mas têm sede noutras regiões, contribuem para que os seus impostos não revertam a favor do desenvolvimento local.
Embora haja narrativas oficiais a destacar esforços de desenvolvimento e o trabalho da administração actual, persistem preocupações sobre a eficácia da implementação de projectos estruturantes.
A situação Financeira da Província não é satisfatória dada a falta de um tecido empresarial forte e insuficiente capacidade de arrecadação de receitas fiscais e comunitárias.
O comerciante José Germano Samba, confirma também que a fragilidade do sector empresarial na província é evidenciada pela baixa arrecadação de receitas próprias.
“Kuanza Norte é uma província virgem com enormes oportunidades de negócios”. Os bancos não apoiam as empresas, como é que vai haver o desenvolvimento da região questionou.
Na opinião deste comerciante, o comércio informal é uma estratégia vital de subsistência para a população, operando à margem das regulações fiscais para gerar rendimentos diários.
“A província, com base agrícola (mandioca, café, citrinos) e recursos minerais, concentra actividades informais na comercialização desses produtos”, disse frisando que, o sector informal é, portanto, uma resposta direta à escassez de oportunidades formais de trabalho na região.
Famílias diversas na cidade de Ndalatando relatam condições de vida precárias e rendimentos insuficientes.
As queixas focam-se na incapacidade de satisfazer necessidades básicas, influenciadas pela situação socioeconómica actual.
A população nas zonas rurais do Kuanza Norte enfrenta dificuldades extremas. O sector agropecuário é dominado por pequenos agricultores, com acesso limitado a financiamento, insumos modernos e tecnologias, o que resulta em baixa produtividade.
Falhas estruturais no sistema de transporte e armazenamento de produtos agrícolas, o que impede a comercialização eficiente e causa grandes perdas.
A falta de oportunidades e serviços no campo impulsiona a migração para áreas urbanas, agravando a pressão sobre as cidades.
O sociólogo António Jacinto Panzo, entende que o êxodo rural de jovens é impulsionado pela falta de oportunidades, emprego e infraestrutura no campo, levando muitos a migrarem para centros urbanos.
“A ausência de políticas públicas, acesso à terra e serviços básicos desestimula a permanência, ameaçando a sucessão rural e a agricultura familiar”, acrescentou.
Defende ele, que a permanência dos jovens no campo é crucial para a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável, necessitando de investimentos em tecnologias e políticas públicas específicas.
As autoridades governamentais locais reafirmam o empenho na melhoria das condições de vida dos cidadãos, destacando a criação de condições para o bem-estar social, o fortalecimento do sector privado e a oferta de bens essenciais.




