PRESIDENTE JOÃO LOURENÇO DISCURSA NA 2º EDIÇÃO DA CIMEIRA ITÁLIA-ÁFRICA EM ADIS ABEBA

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Na noite desta sexta-feira,13, a capital etíope – Adis Abeba – acolheu a segunda edição da Cimeira Itália-África, uma iniciativa que procura relançar a cooperação entre aquele país europeu e as nações africanas.

FRANCISCO MWANA ÚTA

Giorgia Meloni, Presidente do Conselho de Ministros da Itália (Primeira-Ministra), e João Lourenço, Presidente em exercício da União Africana, foram as figuras centrais do evento, onde vários oradores sublinharam a pertinência de se estruturar um novo paradigma nas relações entre a Itália e África, que abandone, por exemplo, a exportação para a Europa de matérias-primas de África em estado bruto.

O Presidente da República de Angola e líder da União Africana, João Lourenço, na sua alocução, foi um dos defensores firmes do novo olhar que deve existir entre África e a Europa, de uma maneira geral, como forma de se impulsionar o desenvolvimento do continente-berço.

Sua Excelência Giorgia Meloni, Presidente do Conselho de Ministros da República Italiana,

Sua Excelência Abiy Ahmed, Primeiro-Ministro da República Democrática Federal da Etiópia,

Excelências, Distintos Chefes de Estado e de Governo,

Sua Excelência, Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana,

Minhas Senhoras,

Meus Senhores,

Permitam-me começar por manifestar a minha grande satisfação por poder participar conjuntamente com Vossas Excelências, na Cimeira Itália – África que ocorre na véspera da Assembleia dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana.

Esta segunda edição da Cimeira, por estar a acontecer neste momento, ilustra em grande medida o cuidado que o Governo da República Italiana teve ao procurar sintonizar a sua estratégia com a agenda africana de desenvolvimento, através da criação de um paradigma coerente de cooperação, alinhado com as novas dinâmicas da economia mundial, em que a África não se limitará ao papel de mero fornecedor de matérias- primas, passando a assumir um papel activo e actuante de criador de valor e de fonte de ideias inovadoras.

O mundo está a atravessar um período de transições diversas nos domínios político e económico e dentro de um contexto de realinhamento global das cadeias de abastecimento.

África encontra-se diante de uma oportunidade histórica para, juntamente com os seus parceiros, adequar o poder global às realidades contemporâneas, pois dispomos de recursos que serão vitais para impulsionar a transição energética e a concretização das nossas ambições em termos de infra-estruturas, que têm estado a atrair investimento a nível global, com benefícios mútuos importantes para todos os intervenientes.

A perspectiva de cooperação e de negócios entre África e outros continentes é bastante animadora e não podemos deixar de considerar este encontro entre a Itália e África como uma plataforma oportuna em que vamos procurar conjuntamente encontrar caminhos que nos levem a um intercâmbio activo de sinergias.

África tem muito a oferecer à Europa e ao mundo, muito mais do que matérias-primas em estado bruto.

Contem com as capacidades e contribuição de África na resolução da crise alimentar e energética que assola o nosso planeta desde que possamos receber capitais, conhecimento, tecnologias e outros meios capazes de alavancar o desenvolvimento e crescimento económico do continente.

Temos desafios complexos devidamente identificados, entre os quais sobressaem fundamentalmente os que estão ligados à electrificação, à industrialização, à mobilidade, à educação e à saúde, associados em grande medida ao tema central da União Africana para 2026, que consiste em “assegurar a disponibilidade sustentável de recursos hídricos e um sistema de saneamento seguro para alcançar os objectivos da Agenda 2063”.

Excelências,

Minhas Senhoras,

Meus Senhores.

Este encontro entre a África e a Itália demonstra uma convergência de interesses que deve ser aproveitada no máximo das capacidades que os dois lados dispõem, merecendo realce o facto de os nossos parceiros italianos terem conseguido plasmar no Plano Mattei um conjunto de projectos que correspondem às nossas perspectivas de desenvolvimento e mobilizar, para o efeito, o interesse de parceiros multilaterais e do sector privado.

Gostaria de referir, a título de exemplo, que, no caso de Angola, merece realce, de entre outros, o Projecto de Desenvolvimento e Expansão da Cadeia de Valor de Angola, mais conhecido por PRODECAFÉ, que encaramos como um contributo significativo aos nossos objectivos de diversificação da economia, de valorização da cadeia de valores de sectores-chave e de aumento da renda dos pequenos produtores.

Este projecto resulta de uma parceria entre o FIDA, a Cassa Depositi e Prestiti, instituição financeira italiana, e o sector privado, o que evidencia que é possível criarem-se modelos de negócio economicamente integrados e consistentes do ponto de vista comercial.

No quadro deste intercâmbio entre a Itália e a África, as iniciativas não se resumem a questões de ordem material apenas, uma vez que ocupam um lugar predileto os aspectos ligados à formação e à transferência de know-how, o que dará aos projectos do Plano Mattei uma alta relevância social, para além da clara sustentabilidade económica.

O Plano Mattei contempla um conjunto de abordagens que vão desde as infraestruturas logísticas e de interconexão, como é o caso do Corredor do Lobito, até ao cabo óptico Blue-Raman, reflectindo todos estes aspectos um nível apreciável de compromisso que o Governo italiano tem estado a assumir com o continente para que as nossas perspectivas de desenvolvimento se transformem em benefícios recíprocos e duradouros.

Obrigado pela vossa atenção.