O QUE A VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA NÃO OUVIU NO UIGE

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O “nó nem acta e nem desata”, na província do Uige, onde o crescimento económico continuam a enfrentar graves dificuldades em infraestrutura, acesso a serviços básicos e oportunidades de emprego.

ANA MENDES

O povo do Uige é reconhecido pela hospitalidade e resistência, aguardando apenas que o investimento chegue à altura do potencial da província.

Segundo habitantes locais que não tiveram a oportunidade de dialogar com a vice-presidente da República, a falta de investimento e a negligência governamental podem levar a um ciclo vicioso de pobreza e subdesenvolvimento.

Segundo relatos locais, com uma população maioritariamente jovem, a província enfrenta sérios problemas sociais, incluindo falta de acesso à educação, saúde, emprego, serviços básicos e economia estagnada.

A província do Uíge carece de hospitais e unidades de saúde nas áreas rurais, o que obriga os pacientes a viajar longas distâncias para receber atendimento médico.

Isso é particularmente grave em uma província onde a taxa de mortalidade infantil é alta e as doenças preveníveis são comuns.

O desemprego é um problema crônico no Uíge, com muitos jovens e adultos sem oportunidades de emprego.

Isso contribui para a alta taxa de pobreza na província, com muitos habitantes vivendo em condições precárias.

Segundo dados dom Instituto Nacional de Estatística, a província do Uige, tem 499 obras paralisadas, enquanto apenas oito estão em andamento, péssimo desempenho do executivo local.

Para ocultarem várias dificuldades que a província enfrenta, governantes locais elaboram um programa, que se resumiu apenas, a Vice-Presidente da República inteirou-se apenas do estado da obra do magistério primário, paralisadas desde 2016, bem como da rede de distribuição de água e o projecto de 15 mil ligações domiciliárias.

Esperança da Costa foi informada do grau de execução do projecto que conta já com 1.000 ligações.

A actual situação económica da província requer a tomada de atitudes e acções que contribuam para o processo de diversificação da economia.

Neste província, é difícil diversificar a economia enquanto o sector privado continuar “amarrado”.

 O desenvolvimento do sector privado na província do Uíge é ainda bastante incipiente.

 Exceptua-se o evidente crescimento da actividade comercial da zona urbana, principalmente na sede da província.
O panorama de alguns municípios não favorece o comércio nem a agricultura empresarial.

De modo geral, o sector empresarial da província encontra-se descapitalizado e depara-se com sérias dificuldades para aceder a créditos bancários.

Apesar das dificuldades, alguns segmentos empresariais procuram o seu espaço, aproveitando as oportunidades que o contexto oferece.

Os estrangeiros ilegais e legais no Uíge têm muita facilidade para ganhar dinheiro, fruto da fragilidade da classe empresarial local.

Como consequência, os comerciantes angolanos estão a falir, o que os leva a ceder os respectivos alvarás comerciais aos não nacionais.

Uma prática à margem das normas que regulam a actividade comercial no país.
No Uige verifica-se também a existência de estabelecimentos comerciais de cidadãos angolanos explorados por estrangeiros de várias nacionalidades em regime de sub-aluguer, tanto de instalações, como de documento de licenciamento da actividade comercial.