MÚLTIPLAS CANDIDATURAS É UMA MIRAGEM: INTERFERÊNCIA DA DIRECÇÃO DO MPLA NA DESISTÊNCIA DA MILITANTE GRACIETE DOMBOLO PROVA QUE JOÃO LOURENÇO VAI INDICAR O SEU SUCESSOR
A orientação política que determinou para a desistência da candidata, Graciete Dombolo, ao cargo da secretária-geral geral da OMA, provam que João Lourenço, vai indicar o seu sucessor, durante o congresso ordinário que terá lugar em Dezembro deste ano.
ESCRIVÃO JOSÉ
Pressionada a retirar a sua candidatura, de modo a permitir que a chamada “candidata da direção”, Emília Carlota Dias, concorresse sem oposição no próximo congresso da organização, analistas políticos acreditam que, as múltiplas candidaturas no seio do MPLA é uma miragem.
“Os que apoiam a candidatura de Emília Carlota Dias (candidatura da direcção), ao observarem o risco que poderiam correr durante à votação no congresso que terá lugar no próximo mês, optarem em pressionarem à candidata, Graciete Dombolo, a desistir para Emília Carlota, concorrer folgadamente”, disse o professor universitário, Salvador Anselmo Kifica.
Segundo este docente, depois do afastamento da militante Lourdes Kaposso (candidata da velha guarda da OMA), estes estavam a trabalhar “seriamente” para que a militante Graciete Dombolo, fossem à vencedora no congresso.
“A máquina funcionou (direcção do MPLA), para evitar humiliação de um militante membro do Bureau Político (Emília Carlota), correr o risco de perder contra uma candidata que não integra esse órgão, no caso Graciete Dombolo), concluiu.
Na opinião do analista político, Frenando Tavares Firmino, Graciete Dombolo Sungua contava com o apoio de uma ala considerada conservadora da OMA, da qual faziam parte a antiga secretária-geral Luzia Inglês Inga, Eulália Rocha, Eufrasina Maiato, Cândida Celeste entre outras figuras integrantes do Comité de Honra da organização.
Emília Carlota Dias, por sua vez, além de contar com o apoio incondicional do líder do MPLA, com quem trabalhou durante vários anos, incluindo diretamente no período em que exerceu funções no Parlamento, beneficiava igualmente do respaldo de dirigentes como Joana Lina, Anabela Diniz e Milca Caquiesse, primeira secretária do MPLA no distrito urbano do Sambizanga.
“O que está acontecer no seio da preparação do congresso da OMA, mostra que o João Lourenço, vai indicar o seu sucessor, contra a vontade do Bureau Político”, observou Frenando Tavares Firmino.
Graciete Dombolo Chivaca Sungua, divulgou uma mensagem pública de agradecimento aos militantes da OMA e do MPLA, bem como aos seus apoiantes e amigos, após ter sido obrigada a retirar a sua candidatura ao cargo de Secretária-Geral da organização.
Na nota, Graciete Sungua reconhece o apoio recebido durante o período em que apresentou a sua candidatura e nos dias subsequentes. “Agradeço do fundo do meu coração, a todas e a todos pela força, pela coragem e pelo apoio sincero que me deram no momento da apresentação da minha candidatura ao cargo de Secretária-Geral da OMA e nos dias subsequentes. Cada palavra de incentivo e cada gesto de solidariedade marcaram profundamente este percurso”, escreveu.
A dirigente sublinhou que a desistência foi resultado de “profunda reflexão, maturidade política, lealdade e sentido de responsabilidade para com as militantes e a nossa organização”.
Graciete Sungua aproveitou ainda para desejar êxitos na realização do 8.º Congresso da OMA, afirmando que espera que o evento “continue a ser uma verdadeira festa de união e afirmação das mulheres angolanas”.
Perante este cenário, o politólogo, Samuel de Jesus Buta, diz que, as múltiplas candidaturas no seio do MPLA é uma miragem.
“Não estão preparados para este exercício democrático. O que está acontecer no congresso da OMA vai repetir-se na preparação do congresso do MPLA que terá lugar em Dezembro deste ano”, notou Samuel de Jesus Buta.



