NO CUANZA-NORTE: TRABALHADORES DA EMPRESA “GHCB” DENUNCIAM MORTES E MAUS-TRATOS POR PARTE DOS PATRÕES CHINESES
Depois da morte de Pedro Domingos, de 36 anos de idade, ocorrida no dia 10 de Dezembro de 2025, em consequëncia de um acidente de trabalho, durante a greve realizada, um grupo de trabalhadores da empresa chinesa GHCB Angola, SA., localizada no município do Dondo, província do Cuanza-Norte, com sede na província do lcolo e Bengo, decidiu quebrar o silêncio e denunciar os maus-tratos e violaçáo dos seus direitos, entre outras irreqularidadesa que såo submetidos por pelos patrões estrangeiros de nacionalidade chinesa.
Segundo os denunciantes, a referida empresa actua no ramo da exploração de inertes (pedras), comercializados em diversos pontos do país, além do ramo da construção civil.
De acordo com os trabalhadores, a direcção da empresa dá preferência ao recrutamento de funcionários nas províncias da região sul do pais, que, uma vez colocados no local de trabalho, são submetidos a uma espécie de escravidão moderna, desde os dormitórios à péssima alimentação, com uma carga horária excessiva, violando o direito do trabalhador e a Lei Geral do Trabalho, sem qualquer possibilidade de reclamação, sob pena de serem mandados para casa.
“Nós começamos a trabalhar às 6 horas e 30 minutos e terminamos às 18 horas, sem direito a horas extraordinárias”.
Alimentamo-nos apenas de arroz branco com frango mal passado, todos os dias ao almoço e, quanto ao mata-bicho e ao jantar, depende do que retiramos dos nossos salários, sendo que muitos de nós ganham apenas 70 mil kwanzas”, relatou um dos funcionáios, sob anonimato.
Outra problemática que aflige os denunciantes são as condições dos dormitórios, visto que dormem em contentores, muitos apenas sobre contraplacados. Em casos de acidentes de trabalho, são deixadoS à sorte e, muitas vezes, mesmo doentes, os patrões obrigam-nos a trabalhar.
“Vives dentro das instalações da empresa, mas, se estiveres doente, és obrigado a trabalhar, porque, caso contrário, sofres descontos ou até podes ser despedido”, informou outro trabalhador, visivelmente agastado.
Questionados sobre o posicionamento das autoridades locais diante desta situação, os trabalhadores avançaram que estas têm conhecimento do caso e que, por várias vezes, órgãos de inspecção dirigiram-se à empresa, simulando deixar algumas recomendações. No entanto, após a sua retirada, a situação piora, clamando, por isso, por uma intervenção urgente dos órgãos competentes, no sentido de pôr termo à referida situacão.
O Na Mira do Crime deslocou-se à direcção daquela empresa em busca da sua versão. Manteve conversas com alguns responsáveis, um dos quais identificados por Hugo, que condenaram o facto de os trabalhadores se terem dirigido aos órgãos de comunicação social, mas ainda assim, prometeram melhorar a situação.



