DESORGANIZAÇÃO DA ACTIVIDADE COMERCIAL NA CIDADE DO UÍGE, SÓ FALTA CHEGAR NA PORTA DO PALÁCIO DE JOSÉ CARVALHO DA ROCHA
O Governo da província do Uíge revela incapacidade, para reordenar o comércio e direcionar os vendedores para mercados formais, que frequentemente têm espaços disponíveis, mas são ignorados por vendedores e clientes.
ANA MENDES
Segundo fontes do Jornal Hora H, na cidade do Uíge, por exemplo, vendedores montam barracas, plásticos ou bancadas em locais inadequados, como passeios, bermas de estradas, rotundas, entrada de edifícios públicos e residências, faltando apenas na porta do palácio do governador provincial.
A prática que o Executivo liderado pelo governador, José Carvalho Da Rocha, não presta atenção, desrespeita o “Programa de Reordenamento do Comércio”, que visa organizar as cidades.
“A necessidade de sobrevivência, pobreza e falta de emprego empurram as pessoas para a rua, onde sentem que atraem mais clientes do que nos mercados formais”, disse a este jornal, o economista, Domingos Saldanha da Cruz, frisando que apesar desta situação, o Governo do Uige liderado por José Carvalho da Rocha, deve tomar medidas para disciplinar a actividade do comércio, sobretudo na cidade do Uige.
O comércio desordenado está a comprometer a qualidade de vida urbana na cidade do Uige, ao causar sérios constrangimentos, colocando em risco a saúde pública por falta de higiene, segurança e desorganização estética.
“O que vemos nesta urbe resulta em um ambiente caótico, especialmente em cidades como Uige e Negage, onde a falta de infra-estrutura adequada para vendedores e políticas públicas ineficazes agravam o problema, apesar de esforços governamentais para reordenar, que esbarram na ausência de mercados formais e planejamento urbano”, disse o funcionário público Ernesto Sango.
Venda de produtos em locais inadequados na cidade do Uíge, sem higiene, expõe consumidores a riscos e mercados improvisados em calçadas e vias aumentam a chance de acidentes para pedestres e veículos.
“A ineficácia das medidas governamentais persiste, devido à falta de alternativas para os vendedores. Dificuldade em implementar soluções duradouras para o problema do comércio ambulante, continua a fectar a cidade do Uíge”, disse o sociólogo Mateus Lutango.
Mateus Lutango defende programas educacionais para comerciantes sobre higiene e gestão de resíduos são necessários, assim como fiscalização e designação de áreas específicas.
“A venda desordenada é um problema social complexo que envolve economia informal, pobreza e gestão urbana, com o governo do Uíge buscando soluções através da organização e fiscalização, mas enfrentando dificuldades para mudar hábitos arraigados e a realidade das necessidades das pessoas”, explica Mateus Lutango.
CIDADÃOS DA RDC O “CALCANHAR DE AQUILES”
Muitos congoleses entram ilegalmente em Angola, atraídos pelas oportunidades econômicas, envolvendo-se na desordem da actividade comercial na província do Uíge.
“O órgão fiscalizador da província ( direção do comércio, ANIESA, departamento de Inspeção), pois eles são responsáveis por aplicar as sanções previstas, não têm cumprido o seu papel”, observa o ancião, Artur Neto.
Na opinião do economista, Paulo Santos Njamba, a proximidade e a dependência económica geram movimentação constante dos cidadãos da República Democrática do Congo.
“A RDC, em situação mais precária, busca oportunidades em Angola, levando a práticas como a venda de combustível e o acesso a mercados. Isto tudo, requer um controlo rigoroso”, acrescentou acrescentando que, cidadãos congoleses actuam no mercado angolano, muitas vezes em condições informais, com relatos de actividades de “crédito” a produtores locais, o que gera controvérsia e preocupações com a segurança alimentar.



