GENERAIS DA CASA MILITAR ACUSADOS DE PROTEGEREM FANTASMAS, EXPLORAREM E COLONIZAM EFECTIVOS DA UED
Alguns oficiais Superiores Generais afectos à Casa Militar do Presidente da República têm dificultado a vida dos efectivos da Unidade Especial de Desminagem (UED), com abuso de poder, que resulta em exploração e colonização destes em pleno tempo de paz.
NDOMBI ZADIMENGA
No documento, dirigido ao Presidente da República, assinado pelo Comandante da UED em exercício, tenente coronel Adriano Cunha, e Comandante da 1ª Brigada, tenente coronel Decastro Sajamba, revela-se que os Generais afectos à Casa Militar do Presidente abusam do poder no exercício de suas funções, desrespeitando os valores morais, éticos, disciplina, patriotismo, respeito, honra, lealdade, espírito de corpo, senso de justiça, honestidade e camaradagem.
Os militares afectados denunciaram a existência de efectivos fantasmas, estes que seriam familiares dos oficiais Generais, inseridos na folha salarial da UED, quebrando assim o cofre do Estado com o dinheiro que daí sai mensalmente.
Os funcionários reclamam por promoções, remunerações reais e justas e pelo cumprimento da promessa de entrega das casas próprias, como se previu há anos.
Conforme revelam os dados apurados pelo Jornal Hora H, a Casa Militar do Presidente da República não paga financiamentos a 106 efectivos presentes no local de serviço desde Janeiro do ano em curso à data presente, entre eles: comandantes, 2º comandantes de brigada, chefes de educação patriótica, chefe das operações, chefes dos pelotões e outros.
A Casa Militar recusa-se também em fazer a entrega dos certificados do curso de Desminagem aos efectivos como testemunho após a formação pelos assessores russos pessoal.
E actualmente a Unidade Especial de Desminagem já não dispõe de viaturas para deslocações nas missões.
Ressalta-se na carta que, o comportamento destes Generais coloca o país numa situação de instabilidade de segurança nacional, pois, os seus afazeres transmitem exemplos de maus lideres e insinuam comportamentos negativos, causando frustrações aos militares que os assistem de perto, e aqueles usados como objectos de exploração, no caso dos oficiais da UED.
Entendem que, por conta deles, os militares são considerados os piores criminosos, mendigos, violadores da Constituição e as Leis em vigor.
“Mancham a imagem e a honra das Forças Armadas Angolanas e da Sua Excelência Presidente da República e Comandante das Forças Armadas Angolanas, perante aos angolanos e ao mundo”, lê-se no documento.
A Unidade Especial de Desminagem é uma unidade militar no activo das Forças Armadas Angolanas. Foi criada no dia 20 de Agosto de 2005, constituída pelos cidadãos nacionais, militares de diferentes situações, à reforma, à reserva, à disponibilidade e outros; convocados pelo Estado angolano, mobilizados e recrutados pela Casa Militar do Presidente da República com conhecimento dos Órgãos de Defesa e Segurança do Estado, regiões militares, governos provinciais, sociedade civil e não só, submetidos aos cumprimento directo das obrigações militares no activo e dependência das Forças Armadas Angolanas, em razão da situação do estado de emergência pela existência eminente das minas, bombas e diversos engenhos explosivos não detonados, remanescentes da guerra espalhada em todo o território nacional, para garantir a segurança de pessoas e bens, através da desminagem.


